Alltour

Grupo dono da Gol deve aumentar preço das passagens em 20% para aliviar custos com combustível

O Grupo Abra, do qual fazem parte as companhias aéreas Gol e Avianca, disse hoje que subirá em aproximadamente 20% o preço das passagens por conta da alta do combustível de aviação. O contexto, como não seria diferente, é a guerra no Oriente Médio, que pressiona o preço do petróleo desde o início de março.

Segundo o CEO do Grupo Abra, Adrian Neuhauser, com o aumento nas tarifas, a ideia é compensar a disparada do querosene de aviação (QAV) integralmente até o fim deste ano. A companhia não estimou o custo extra com o QAV.

Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou Neuhauser, durante teleconferência de resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre deste ano.

O chefe da Abra explicou que essa diferença decorre do tempo necessário para implementar os reajustes tarifários, da existência de passagens vendidas antes da disparada do combustível e de algum impacto sobre a ocupação dos voos.

“A parcela não recuperada via tarifas acaba pressionando o caixa, embora parte desse efeito seja compensada pelas operações de hedge de combustível”, acrescentou.

Voos cancelados e revisão de rotas

O CEO do Grupo Abra também afirmou que a empresa tem flexibilidade para reduzir a oferta acompanhando um desaquecimento do mercado.

“Um dos nossos objetivos principais aqui é garantir que não estamos oferecendo um excesso de capacidade”, disse. Cortes de até um dígito alto (entre 7 e 9%), disse, seriam simples de fazer sem grandes esforços, afirmou o executivo.

Em relação ao Brasil, o CEO da Gol, Celso Ferrer, deixou claro que a empresa tem feito ajustes em rotas semanalmente, sem especificar o tamanho dos cortes na operação da companhia.

Vale destacar que a empresa ampliou sua oferta no primeiro trimestre de 2026, muito em razão da retomada total da frota que ainda estava parada.

Azul e Latam também veem impactos

O discurso do Grupo Abra não foge muito do que já se ouviu de Azul e Latam recentemente em relação a preço de passagens, gastos com combustível e cancelamento de voos.

Segundo a Azul, as passagens já estão, em média, 30% mais caras na comparação com o fim de fevereiro, quando a guerra no Oriente Médio começou. O número se refere a reservas futuras, e o aumento é sentido principalmente em voos nacionais. A empresa também confirmou que está reduzindo em cerca de 5% a oferta de assentos em maio e junho.

A Latam, por sua vez, cortará 3% de sua oferta de assentos projetada para o mês que vem e espera um impacto extra de US$ 700 milhões (R$ 3,4 bilhões na cotação atual) em gastos com combustível de aviação de abril a junho.

Com informações de Estadão e Valor Econômico

COMPARTILHE!